Olá, amigos! Confesso que eu só li O morro dos ventos uivantes porque vai sair adaptação no cinema e minha amiga ficou insistindo que eu deveria ler. Acreditam que eu gostei?
Sobre o livro
Em O Morro dos Ventos Uivantes, acompanhamos a trajetória de Heathcliff (um órfão de origem desconhecida, de pele escura e de olhos negros. Acreditem, essa informação é importante, porque toda a obra gira em torno disso) adotado pelo Sr. Earnshaw, por meio do relato de Nelly Dean, empregada da família, que narra os acontecimentos ao novo inquilino da Granja, o Sr. Lockwood. A chegada de Heathcliff desperta sentimentos ambíguos no seio familiar: enquanto Catherine desenvolve por ele uma ligação intensa e apaixonada, Hindley reage com ciúmes e ressentimento diante do afeto que o pai dedica ao menino. A paixão entre Catherine e Heathcliff é profunda e recíproca, mas acaba sendo sufocada pelas convenções sociais. Ao optar por se casar com Edgar Linton, em busca de status e segurança, Catherine desencadeia no protagonista um sentimento de abandono que se transforma em ódio e desejo de vingança. Esse rancor atravessa gerações, marcando a vida de diversos personagens e conduzindo o leitor por uma narrativa sombria, intensa e marcada pela dor. Assim, acompanhamos a construção de um anti-herói dominado pela amargura, cujas ações moldam tragicamente o destino de todos ao seu redor.
Minha opinião
Os clássicos têm essa capacidade singular de despertar sentimentos contraditórios e provocar reflexões profundas, e O Morro dos Ventos Uivantes faz isso com maestria. A cada capítulo, eu me sentia mais envolvida com a história, ao mesmo tempo em que me surpreendia com as atitudes de Catherine e com a personalidade obsessiva e cruel de Heathcliff. Comecei a leitura sentindo compaixão e simpatia pelo protagonista, mas terminei com um ódio quase visceral por ele, uma prova da complexidade psicológica construída por Emily Brontë.
São tantas temáticas exploradas ao longo de cerca de quatrocentas páginas que seria necessário um texto muito mais extenso para analisá-las em profundidade. Ainda assim, alguns aspectos foram decisivos para que eu me apaixonasse pela obra:
- a narrativa conduzida pelo olhar de Nelly Dean, uma narradora envolvente e fundamental para a construção da história;
- a curiosidade quase ingênua do Sr. Lockwood, que funciona como porta de entrada naquele universo tão hostil;
- o debate sobre racismo e exclusão social em uma época em que tais práticas eram naturalizadas;
- a personalidade intensa, contraditória e fascinante de Catherine Earnshaw.
Além disso, outros elementos enriqueceram minha experiência de leitura, como o desfecho que retoma a formação original dos proprietários, os ciúmes e sofrimentos dos personagens secundários, o quarto supostamente assombrado por Catherine, o destino final de Heathcliff e as críticas veladas à religião e à moral da época. Por tudo isso, levei cerca de três semanas para concluir a leitura e, mesmo depois de finalizada, não consigo parar de pensar na obra. O Morro dos Ventos Uivantes é intenso, perturbador e inesquecível. Sem dúvida, uma leitura que todos deveriam experimentar ao menos uma vez na vida.
Por outro lado, houve um ponto que me causou profunda revolta e me fez “brigar” com os personagens: a trajetória de Catherine Linton. Desde a primeira vez em que seu primo a trata de forma cruel, eu já desejava que ela abandonasse tudo e voltasse para casa. Ela sofre agressões, humilhações, é sequestrada, forçada a se casar e vive aprisionada em um relacionamento claramente abusivo. Ainda assim, continua demonstrando compaixão e amor por alguém que a destrói emocionalmente. Essa parte da narrativa é dolorosa e extremamente perturbadora e me mostrou como a mulher foi moldada assim ao longo dos anos: alguém capaz de salvar os homens de serem monstros, alguém que deve permanecer, porque “coitadinho dele, está passando por um momento difícil”. Mas que bom que estamos tentando quebrar esse paradigma e espero que as meninas de hoje vejam o quanto isso é problemático. Na obra, o agressor de Catherine morre rápido, mas, na vida real, as mulheres que se submetem a salvar homens desse tipo acabam virando estatística de feminicídio.
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Avaliação 5 ⭐️
